22
Ter, Jun

Homilia da Missa de Encerramento da Semana da Família 2015

Mensagens do Bispo

Caríssimo Dom Osvaldo, caros Padres, Religiosos, Religiosas, Seminaristas e Vocacionados. Queridas Famílias. Caríssimos Irmãos e Irmãs:

Hoje nós queremos celebrar a família! Nossa Igreja Particular, nossa Diocese se une a toda Igreja no Brasil, nas suas mais diversas dioceses, paróquias e comunidades para celebrar a Família. Falar da Igreja é falar da nossa mãe.

A Igreja, como nos diz o Papa Francisco, na verdade, “não é uma instituição com fim em si mesma ou uma associação privada, uma ONG. A Igreja não se restringe aos padres, aos bispos, ao Vaticano. Estes são parte da Igreja, mas a Igreja somos todos nós, todos família, todos da mãe”.

Na Semana Nacional da Família, teve por tema: “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”. O tema da Semana Nacional da Família de 2015 assume o tema do 8º. Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, que acontecerá de 22 a 27 de setembro deste ano, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Meus irmãos e irmãs, vamos meditar agora, sobre o que a Igreja diz a respeito da dignidade, da vocação e da beleza da família.

Notamos que o desejo de família permanece vivo, de forma especial entre os jovens. Apesar da crise de fé, que atingiu numerosos católicos e que muitas vezes está na origem das crises do matrimônio e da família continuamos a desejar uma família. Uma das maiores formas de pobreza da cultura contemporânea é a solidão, fruto da ausência de Deus na vida das pessoas e da fragilidade dos relacionamentos.

Numerosas crianças nascem fora do matrimônio e são muitas aquelas que, em seguida, crescem apenas com um os pais, ou num contexto familiar ampliado ou reconstituído. O número de divórcios aumenta, e não é raro o caso de escolhas determinadas unicamente por fatores de ordem econômica. Também não podemos esquecer os crescentes fenômenos de violência, da qual as mulheres são vítimas por vezes, infelizmente, até no seio das próprias famílias.

Preocupa certa difusão da pornografia e da comercialização do corpo, favorecida inclusive por um uso deturpado da internet. Além disso, a exploração sexual da infância constitui uma das realidades mais escandalosas e perversas da sociedade contemporânea. Mas, apesar de experimentar a falência ou viver nas situações econômicas e sociais mais diferentes e desafiadoras, é necessário admitir a dignidade da família e o desejo que sentimos dela.

Por isso, a Igreja, perita em humanidade e fiel à sua missão, é motivada constantemente, a anunciar com profunda convicção o “Evangelho da família”. Anunciar o Evangelho da família significa manter o olhar fixo em Jesus Cristo, deter-nos na contemplação e adoração do seu rosto. O que celebramos na festa de hoje é a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o reino de Deus. A primeira leitura nos diz: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza de nosso Deus, e o poder do seu Cristo” (Ap 11,10).

Celebramos, tendo Maria como sinal, da vitória de Cristo sobre a morte e o pecado. Jesus nos promete a vida eterna. E a vida eterna não é a mesma coisa que vida pós-morte. Vida eterna significa vida reconciliada com Deus. Vida essa que já começa aqui, numa existência orientada para Deus, em profunda união com ele, e se prolonga após a morte. Uma vida inspirada no cântico de Maria: “A minha alma engrandece o Senhor, Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias” (Lc 1,39-56).

A conseqüência prática disso é que a caminhada do cristão consiste na configuração da própria vida à vida de Cristo, andando no amor e doando-se a Deus e ao próximo. E quem são as pessoas mais próximas de nós? São nossos familiares. Eis aqui a vocação da família cristã:Formar uma comunidade de vida e de amor (GS 47-52). Colocar o amor cristão no centro da família, mostrando a verdade deste amor em face das diversas formas de reducionismo presentes na cultura contemporânea.

O verdadeiro amor entre esposo e esposa implica a doação recíproca de si, inclui e integra a dimensão sexual e a afetividade, correspondendo ao desígnio divino. Saber perdoar e sentir-se perdoado constituem uma experiência fundamental na vida familiar. O perdão entre os esposos permite experimentar um amor que é para sempre, que nunca termina. O perdão pela injustiça sofrida não é fácil, mas trata-se de um caminho que a graça torna possível.

Enfim é preciso contemplar a beleza do matrimônio e da família. Com íntima alegria e profunda consolação, a Igreja olha para as famílias que permanecem fiéis aos ensinamentos do Evangelho, agradecendo-lhes e encorajando-as pelo testemunho que oferecem. Não são famílias perfeitas, são famílias que acreditam. Com efeito, graças a elas torna-se visível e crível a beleza do matrimônio indissolúvel e fiel para sempre.

Na família, “que se poderia chamar igreja doméstica” (LG 11), amadurece a primeira experiência eclesial da comunhão entre pessoas, na qual se reflete, mediante a graça, o mistério da Santíssima Trindade. “É na família que se aprendem a tenacidade e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado e, sobretudo, o culto divino, através da oração e do oferecimento da própria vida” (CIC 1657).

A Sagrada Família de Nazaré é o seu modelo admirável, em cuja escola nós “compreendemos por que motivo devemos ter, uma disciplina espiritual, se quisermos seguir a doutrina de Cristo” (Paulo VI, Discurso em Nazaré, 5/1/64). É preciso salientar a importância da espiritualidade familiar, da oração e da participação na Eucaristia dominical, animando os casais a reunir-se regularmente para promover o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida.

Celebro hoje o aniversário de 29 anos de minha Ordenação Presbiteral. Sou agradecido a Deus, que me conduziu por todos estes anos, e que, embora eu seja tão limitado e pequeno, me concede a alegria de servi-Lo. Agradeço a Deus por esta bela família que Ele me deu, a Diocese de Marília, todos vocês que celebram comigo, muito obrigado! O Bispo ama todos vocês!

Que a Família de Nazaré acompanhe e abençoe e proteja nossas famílias!

MARÍLIA -  15/08/2015 –  ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

 

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
clique para baixar
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
Área de arquivos
Materiais disponibilizados pela Diocese e pelas pastorais

capa267