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Seg, Nov

Professor Claudio Junior
membro do Conselho Diocesano de Leigos

Ocorreu, nos dias 29, 30 e 31 de agosto, em Adamantina, o Curso de Atualização para Leigos, e no dia 4 de setembro a primeira reunião do Conselho Diocesano de Leigos, na qual se refletiu sobre o papel primordial do cristão católico com relação ao exercício da cidadania. Esse tema é bastante discutido nos meios de comunicação, principalmente quando estamos próximos da época das eleições.

Entre tantos debates ligados ao tema cristão católico e o exercício da cidadania, muito se discute sobre a responsabilidade que os cidadãos têm em relação aos representantes políticos eleitos. Em diversas ocasiões, ouvimos dizer que o brasileiro "não tem memória" porque se esquece de quais foram os seus representantes escolhidos para ocupar os cargos dos poderes Executivo e Legislativo. O alcance da responsabilidade e das consequências do voto não permitem atitude simplória, sob pena do alto custo de decisões inadequadas sobre o poder Executivo e a representatividade. Uma gama enorme de fatores interfere na consolidação dessa esperada postura cidadã, obviamente na contramão da inadmissível proposta do voto nulo ou do não comparecimento às urnas.

As eleições garantem o exercício nobre da cidadania. Por isso, supõem e exigem preparação individual muito mais elaborada. Cita-se aquilo que Aristóteles pensava sobre o bom governo: "A verdadeira garantia do bom governo consiste em vigiar a execução das leis, em não permitir nunca a menor infração. Qualquer infração leve é insensível, mas tais transgressões são como as pequeninas despesas que, multiplicando-se, levam à ruína. A princípio, elas fogem à atenção, e é por isso que mister se faz deter o mal na origem".

O Papa Bento XVI afirmou que "é dever da Igreja contribuir para a purificação da razão e para o despertar das forças morais, sem as quais não constroem estruturas justas, nem estas permanecem operativas por muito tempo, entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos, os quais, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública. Não podem, pois, abdicar da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum" (Bento XVI, Deus caritas est, n. 29). Também o Papa Francisco nos afirma que "Ninguém pode nos exigir que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos" (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 2013 n.183).

Assim, concluímos que nossa missão de Cristão Católico é de se preocupar com o bem comum, de estar disposto a ser fermento na massa, não perder o ardor do Evangelho na busca de uma sociedade mais justa e fraterna.

Publicado no Jornal No Meio de Nós - edição de outubro de 2014

Amados Irmãos e Irmãs

Neste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande "tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras": São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. A grande obra de sua vida foi, sem dúvida, a tradução da Bíblia para o latim, conhecida por Vulgata. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o "Dia da Bíblia" no mês do aniversário de sua morte, ou melhor, no dia da sua posse, da grande promessa bíblica: a Vida Eterna. Hoje também celebramos o Dia do Secretário e da Secretária, dando graças a Deus por seu importante trabalho na sociedade. É de São Jerônimo a célebre frase: "Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo".

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VERA CRUZ 21 DE SETEMBRO DE 2014

Queridos Peregrinos, Amados Irmãos e Irmãs

Estamos no mês de setembro, mês da Bíblia. A Palavra de Deus é alimento para nossa vida, como nos diz a Sagrada Escritura: "Não somente de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,6). A Palavra de Deus é luz que ilumina nosso caminho é lâmpada para os nossos pés. Por isso vamos meditar agora sobre a Palavra que ouvimos, vamos acolher a palavra em nosso coração, para que ela se torne vida na nossa vida.

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PARÓQUIA SÃO BENTO - CATEDRAL

MARÍLIA 21 DE SETEMBRO DE 2014

Amados Irmãos e Irmãs

Estamos no mês de setembro, mês da Bíblia. A Palavra de Deus é alimento para nossa vida, como nos diz a Sagrada Escritura: "Não somente de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,6). A Palavra de Deus é luz que ilumina nosso caminho é lâmpada para os nossos pés. Por isso vamos meditar agora sobre a Palavra que ouvimos, vamos acolher a palavra em nosso coração, para que ela se torne vida na nossa vida.

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Em outubro deste ano, somos chamados ao exercício da cidadania, através das eleições. Votaremos para os cargos de presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. A Igreja do Brasil nos convida a refletir e aprofundar o valor do nosso voto. A Igreja valoriza a política e a tem em alta estima porque o cristianismo deve evangelizar a totalidade da vida humana.

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Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Jesus pergunta aos discípulos sobre o que pensam a respeito de sua identidade. Pedro manifesta sua profissão de fé no Mestre como sendo o Messias (Cf. Mateus 16, 13-17). Em contrapartida Jesus coloca a identidade de Simão como pedra de sua Igreja: "Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la" (Mateus 16,18).

O ser humano só encontra razão de ser na vida quando conhece a identidade de Deus, numa relação de confiança nele, a ponto de realizar a missão por Ele recebida. Usa, então, a vida para cuidar do convívio com o semelhante e com a natureza de modo amoroso e construtivo. De fato, Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Como Ele mostra sua identidade no ato de amar as criaturas, cuidando de tudo para o bem de cada ser, também nos dá a incumbência de cuidar de tudo o que está sob nossa responsabilidade da melhor maneira, afinada com os critérios dele.

Jesus veio nos indicar a maneira de realizar o projeto do Pai. Uma nova ordem pessoal e social deve acontecer. Somente o ser humano é feliz quando dá de si pelo bem do semelhante, mesmo tendo que se sacrificar pela promoção da justiça e do bem comum. Até o uso dos bens materiais, da cultura, do desenvolvimento da ciência, da técnica e da economia devem ser colocados a serviço da dignidade humana. Tudo é de Deus. O ser humano é apenas administrador provisório. Paulo lembra que o proprietário é Deus: "Tudo é dele, por ele e para ele. A ele é a glória para sempre" (Romanos 11,36).

Deus quer o bem de toda criatura. Colocou-nos na terra porque nos ama e quer nosso bem. Mas nos dá a alegria de termos a honra e a felicidade de colocar nossa parte de esforço e boa vontade para nos recompensar de toda a responsabilidade em administrar bem as possibilidades da vida presente. Esta é boa quando a fazemos beneficiadora a todos. Nosso empenho para isso depende de colocarmos nossos talentos e oportunidades para construirmos uma sociedade fraterna e promotora da vida digna para todos. Nessa direção somos responsáveis por construirmos famílias dóceis ao projeto do Criador, bem como política de real serviço à causa comum. Nossa inteligência usada bem nos facilita escolhermos pessoas de bem para o exercício das diversas lideranças na sociedade, seja na política, seja na religião e em todo tipo de organização humana. Quando se tratam de eleições a cargos de serviço à coletividade, a consciência bem formada nos deve levar a superar interesses mesquinhos de grupos e corporações. Assim escolhemos pessoas de bom caráter e com capacidade para o bom exercício dos cargos eletivos.

Quando identificamos bem as pessoas aptas para os serviços à comunidade, damos todo nosso apoio e acompanhamos suas ações para que realmente sejam identificadas com o bem da coletividade. Com a força da profissão de nossa fé, como fez Pedro, somos capazes de assumir nossa missão, conhecida e acionada por Deus, para realizarmos seu projeto de benefício a nós e a todos de nosso convívio. Nossa vocação de resposta a Deus tem a ver diretamente com a identidade da tarefa que Ele nos dá na vida.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

A solenidade da Assunção apresenta, na leitura de Evangelho, com o texto do MAGNIFICAT. É o canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida. É curioso e convém que prestemos atenção ao fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que vai acontecer depois de sua morte. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a assunção não foi apenas um fato que aconteceu apenas em um momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus. O Magnificat – o canto de Maria, jovem ainda, grávida, que se encontra com a sua prima Isabel, igualmente grávida – não é apenas uma bela poesia. É um claro testemunho do estilo de vida de Maria.

Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galileia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva. Por isso, Maria sabe que "sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fieis de geração em geração" e que "auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia".

Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana. Não deveria ter muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galileia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher, agravados pela pobreza em que vivia aquela gente, Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte.

Maria – e isto é importante – passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.

Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida também costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão. A festa da assunção nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.

Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Amparo (SP)

Neste mês dedicado às vocações, em especial à sacerdotal, é bom relembrarmos alguns expoentes que ilustraram este ministério ao longo de nossa história. Trata-se do Padre Antonio Vieira, chamado pelo poeta português Fernando Pessoa de "imperador da língua portuguesa". Nascido em Lisboa, com seis anos de idade, veio com a família para o Brasil. Radicado na Bahia, ingressa no colégio jesuíta de Salvador. Em 1634 é ordenado padre. Torna-se missionário e orador, seus sermões o fizeram famoso em todo o reino. Sua obra escrita, de modo especial seus 200 sermões, está impregnada de sabedoria, nela ele aborda temas históricos e políticos de forma magistral. Fascina o estilo, o domínio da língua, mas, sobretudo a exposição da fé que impele á prática da caridade.

Foi homem de estudo e erudição e de ação, que enfrentou com muita coragem as vicissitudes da vida, inclusive processos ante a Inquisição, dos quais acabou anistiado. Morreu em Salvador da Bahia em 1697. Suas atividades no Brasil dizem respeito à defesa da liberdade dos indígenas, invasão holandês, empenho pelo desenvolvimento econômico.

São inúmeros os temas abordados em seus sermões, entre os quais o mais famoso talvez, seja o Sermão da Sexagésima de 1655. Porém, num deles, há um tema utilíssimo, um tanto fora de moda, que me chamou a atenção. Trata-se do pecado da omissão, que ele aborda no sermão do primeiro domingo do advento no ano de 1650. Neste tempo pré-eleitoral que vivemos hoje, é muito útil revisitar este sermão. O sermão tem como eixo o juízo final, cito a seguir um parágrafo, referente à omissão dos governantes.

"Sabei cristãos, sabei príncipes, sabei ministros, que se vos há de pedir estreita conta do que fizestes; mas muito mais estreita do que deixastes de fazer. Pelo que fizestes se hão de condenar muitos, pelo que não fizeram todos. As culpas porque se condenam os Reis são as que se contêm nos relatórios das sentenças: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno. E por que? Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, porque não recolhestes, não visitastes, porque não vestistes (Mt 25, 42-42). Em suma, que os pecados que ultimamente hão de levar os condenados ao inferno, são os pecados de omissão. Não se espantem os doutos de uma proposição tão universal como esta; porque assim é verdadeira em todo o rigor da Teologia... A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete, e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo: e pecado que nunca é má obra, e algumas vezes pode ser obra boa."

Assim sendo, a corrupção, segundo Padre Vieira, tão alastrada em nosso meio, ampliada pelo famoso "jeitinho brasileiro", se torna mais grave do que fazer o mal. Ela faz o mal no lugar do bem que devia fazer e não faz, e ainda, sendo um mal, muitas vezes aparece como um bem: perversidade! E assim é, a corrupção e sua irmã gêmea, a incompetência, solapam a ordem e o progresso que desejamos para nossa pátria.

Fica aqui a homenagem a nosso papa Francisco, jesuíta, "profeta suave e firme" que recorda à Igreja o dever de remar contra a corrente por amor ao Evangelho (cf. Angelus junho 2013).

Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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