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Ter, Set
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Guia Pastoral Diocesano 2019
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Como deve ser uma vocação?

Mensagens do Bispo

Texto de Dom Luiz Antonio Cipolini publicado no jornal diocesano "No Meio de Nós" de agosto de 2019

O mês de agosto na Igreja do Brasil é um momento de silêncio, de escuta do Senhor que chama, cada pessoa, a viver a alegria e a beleza interior do chamado. Na história da conversão de Paulo, na qual se destaca o contraste entre sua vida de perseguidor e sua docilidade à mensagem divina, há um detalhe que constrange os tradutores. Paulo diz que Deus o chamou com sua graça: “Aquele que me chamou com sua graça teve o prazer de revelar seu Filho para mim, para que pudesse anunciá-lo entre os pagãos”. Os tradutores traduziram “para mim”, mas o original soa “em mim”: “... ele teve o prazer de revelar seu Filho em mim” (Gal 1, 15-16), e enfatiza que essa revelação é um evento interior, não superficial, não externo, mas uma atração divina que leva à profundidade da alma.

Assim deve ser uma vocação: uma revelação que ocorre no íntimo e não um chamado externo, mesmo que os eventos externos contribuam para toda vocação. E a vocação nas profundezas da alma revela a íntima relação com o Senhor Jesus, que o Evangelho descreve em Maria, ocupada apenas na contemplação de Jesus e na escuta de sua palavra. Maria acolhe Jesus em sua alma, e Marta o recebe exteriormente. E Jesus diz: “Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10, 42), a única coisa necessária para todo cristão, especialmente para um vocacionado à vida religiosa. Também Paulo precisou escolher a melhor parte, para que pudesse anunciar Cristo entre os pagãos. Foi necessário que uma revelação acontecesse em Paulo, que um anúncio ressoasse nele e não apenas por meio dele. Um sacerdote não deve ser uma trombeta: neste caso a sua pastoral não é autêntica. A revelação deve acontecer nele, e não somente através dele. Os pagãos reconheciam em Paulo a revelação de Cristo, porque ele vivia em Cristo, ele estava cheio de fé em Cristo. “Esta vida que eu vivo na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus
... Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim” (Gal 2, 20). Assim, em Paulo, Cristo foi revelado.

Portanto, entendemos como a vida interior é primordial para que a evangelização seja verdadeiramente o anúncio de Cristo. Evangelização não é publicidade, onde é suficiente a propaganda de produtos com argumentos convincentes. O testemunho, que parte do coração e se manifesta em toda a vida, é sumamente necessário. Peçamos ao Senhor que conceda a todos os vocacionados, aos sacerdotes, aos religiosos e a todo o povo de Deus esta íntima revelação de Cristo, para que todos possam dizer: “Aquele que me chamou pela sua graça teve o prazer de revelar seu Filho em mim, para que eu o anuncie a todas as nações” (Gal 1, 15-16).

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