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Sex, Mai

O Sacerdote é outro Cristo

Mensagens do Bispo

Homilia de de Dom Luiz Antonio Cipolini na Missa dos Santos Óleos, Tupã, 16 de abril de 2019

O SACERDOTE É OUTRO CRISTO

Prezado Dom Osvaldo Giuntini, Bispo emérito de nossa Diocese, diácono Cecílio, religiosos e religiosas, seminaristas, irmãos e irmãs, desejo a todos paz e alegria, frutos do Espírito Santo que nos reúne nesta santa celebração. Somos a família de Deus reunida! Peço licença a todos vocês para dirigir-me aos prezados presbíteros, meus colaboradores no ministério, e começo dizendo com Santo Agostinho: meus irmãos, porque com vocês sou cristão, meus filhos, porque para vocês sou bispo. Minha intenção nesta noite em que celebramos a instituição do sacerdócio é dizer a cada um de vocês: “Reaviva o dom de Deus que há em ti” (2Tm 1,6).

E qual será o dom de Deus que há no sacerdote? O que o padre pode oferecer, que outras pessoas que não têm a sua vocação não poderão fazer? Qual a “virtude”, a força, que deve sobressair no padre? Nos dias de hoje há uma busca extraordinária da figura do padre como artista, cantor, liturgista, showman, alguém que sobressai em alguma arte ou especialidade. Mas o que deve ser mais evidente e o que as pessoas procuram somente no padre? É Jesus. O sacerdote é representante de Cristo! O sacerdote é outro Cristo!

Desta maneira o “ministério da presença” é o que distingue o padre. Estar presente, ser presença de Jesus para a comunidade. Estar presente no meio do povo, “ter cheiro de ovelha” como recomenda o Papa Francisco. Estando presente o padre pode acolher. Hoje se fala muito em acolhida. Uma das ações pastorais lembradas em quase todos os planos de pastoral ultimamente, é a prioridade da acolhida. Acolhida feita não somente pelos fiéis leigos, mas também e sobretudo, pelo sacerdote. Acolher bem é evangelizar, a misericórdia começa com a acolhida e a escuta, principalmente quando se trata de ministrar o sacramento da reconciliação.

A acolhida é o início da transformação da paróquia. De paróquia da manutenção para uma paróquia missionária. No evangelho que acabamos de ouvir Jesus se encontra no meio do povo de Nazaré, “onde se tinha criado.” (Lc 4, 16). Para acolher é preciso estar presente, ter tempo. E então nos vem a pergunta: Como encontrar este tempo? Como se tornar presente além do momento do culto? A nossa Diocese é tão extensa, somos poucos padres e o trabalho é grande, muitos têm de fazer o trabalho de dois ou mais....

Então é aqui que entra a força do amor de Cristo que nos impele. As palavras de Jesus nos soam questionadoras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19). Nós padres, somos convidados a ter os mesmos sentimentos de Jesus presente no meio do povo: “Tenho pena deste povo que anda como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34).

É o ministério da presença que nos faz mergulhar na vida das pessoas, nas alegrias e crises da vida do povo. O fato de estar presente na paróquia, de ouvir, afeta profundamente e configura a oração e a pregação do sacerdote. Sem o hábito santo de ouvir, sem o ministério da presença, a nossa vida espiritual vai ficando superficial. O padre que não está presente aos irmãos, não consegue estar presente para Deus, quem não acolhe os irmãos não saberá acolher a Deus.

Andando em nossas periferias vemos como cresce o número de várias denominações religiosas. É possível perguntar: É o povo que está abandonando a Igreja ou é a Igreja que está abandonando o povo? Onde os padres e os agentes de pastoral não se fazem presentes, outros se farão a fim de conquistar o rebanho. Examinemos nossa consciência diante de Jesus Bom Pastor: Qual é o tempo que reservo para ser presença para o povo da minha comunidade? Peçamos a Jesus que abençoe este tempo valiosos que o torna presente. O sacerdote é um “sacramento” da presença de Cristo. Aí está sua grandeza e beleza.

É nesta dinâmica pascal de morrer para si a fim de que os outros tenham vida, que se manifesta a paternidade verdadeira, que faz do padre uma imagem perfeita de Jesus Bom Pastor. “Quando um sacerdote não é pai da sua comunidade... torna-se triste” – diz o Papa Francisco, e continua – “...a raiz da tristeza na vida pastoral consiste precisamente na falta de paternidade...que vem do viver mal esta consagração que, ao contrário, nos deve conduzir à fecundidade” (Papa Francisco aos Seminaristas em 06.07.2013).

Algumas vezes somos vítimas da cultura do provisório, da pressa em buscar resultados, do consumismo e da dissipação e nos perguntamos a nós mesmos: Como posso libertar-me desta cultura do provisório? Devemos aprender a fechar a porta da nossa cela interior, a partir de dentro. O Papa Bento XVI, que no dia de hoje completa 92 anos, nos propõe a figura do Cura D’Ars como modelo, quando nos diz: “São João Maria Vianney seja exemplo para todos os sacerdotes. Ele era homem de grande sabedoria e heroica força ao resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder guiar as almas para Deus: simplicidade, fidelidade e proximidade eram as características essenciais da sua pregação, transparência da sua fé e da sua santidade. O Povo cristão...reconhecia nele o que se deveria reconhecer sempre num sacerdote: a voz do Bom Pastor” (Audiência Geral 14.04.10).

Caríssimos sacerdotes, o Povo cristão de nossa diocese reconhece, aprecia e espera a presença dos seus padres, através da qual podem renovar o encontro com Jesus que doa a alegria, a paz e a salvação. “Reaviva o dom de Deus que há em ti” (2Tm 1,6). Sejam positivos, cultivai a vida espiritual e, ao mesmo tempo, ide ao encontro das pessoas, sobretudo as mais desprezadas e desfavorecidas. Não tenham medo de sair e ir contra a corrente. Sejam contemplativos e missionários... Tenham sempre Nossa Senhora convosco na vossa casa, como a tinha o Apóstolo João. Ela vos acompanhe sempre e vos proteja.

Caríssimos irmãos e irmãs, o Senhor confiou aos Sacerdotes uma grande tarefa: ser sua presença em vosso meio, não se esqueçam de rezar por eles! Lembremo-nos com gratidão dos Cônegos Maurício Pilon, Antonio Flumignan, Valdemiro Candido do Símbolo e Frei Fulgêncio Tomazella, que tanto colaboraram para a evangelização em nossa Diocese. Como um pai de família me sinto feliz com vocês, padres, pelo que são, pelo que realizam e pelo que estão dispostos a fazer, por amor a esta família que é a nossa querida Igreja Particular de Marília!

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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