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Dom, Out

O Papel do leigo na família, na Igreja e no mundo

Mensagens do Bispo

Homilia de Dom Luiz Antonio Cipolini na 42ª Assembleia Diocesana - Osvaldo Cruz, 23/09/2018

Queridos Irmãos e Irmãs. Com o coração em festa eu vos acolho com muito amor e carinho! Sejam todos Bem-vindos!

Acolho a cada um de vocês que vieram para a 42ª. Assembleia Diocesana. Como é gratificante ver a nossa Igreja Particular de Marília reunida! O gesto de saudar e ser saudado constitui uma porta que se abre para a convivência e agradável familiaridade. O gesto de saudar a outra pessoa rompe barreiras, cria laços de cordialidade e faz acontecer a comunhão que nos integra numa assembleia. Nos ritos iniciais da missa se realiza uma saudação especial, não é mera formalidade, a saudação dos ritos iniciais confirma a identidade da celebração e mostra a relação com a Santíssima Trindade. Quando o celebrante diz: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” (2Cor 13,14), expressa à comunidade reunida a presença do Senhor ressuscitado. “Essa saudação e a resposta do povo, bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo, exprime o mistério da Igreja reunida” (IGMR 50).

Sim, meus Irmãos e Irmãs, bendito seja Deus que nos reuniu. Estamos reunidos porque Ele nos chamou. No ano passado não tivemos assembleia, nos reunimos para o Congresso Mariano no dia 08 de outubro, em Marília, na Unimar. Porém, hoje, estamos aqui! Que possamos sentir-nos acolhidos e amados por Deus, nesta Assembleia, e assim acolher e amar-nos uns aos outros. Acolho ao nosso bispo emérito Dom Osvaldo, a todo clero, religiosos, religiosas, consagrados e consagradas, leigas e leigos. Que as lideranças de nossas 63 paróquias e 02 quase-paróquias, representadas nesta Assembleia, sintam a alegria da unidade e da paz, em Cristo!

Estamos no Ano Nacional do Laicato e acabamos de ouvir as palavras de Jesus: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos! ” (Mc 9,35). Com estas palavras Jesus nos revela que seu messianismo não tem nada que ver com sucesso e grandeza, mas sim com sofrimento, porque ele, o servo sofredor, assume a causa dos pequenos e excluídos. Mostra ainda que há muito a ser feito, mas poucas pessoas dispostas ao serviço. Ele se refere não apenas aos sacerdotes, aos pastores do rebanho, mas também a todos os batizados, ou seja, a todos os cristãos leigos e leigas. Será que estamos dispostos a servir como Ele serviu?

Os Cristãos leigos, homens e mulheres, compõem a maior parte da Igreja e “são chamados, antes de tudo, à santidade” (CNBB, Doc. 105, 116). “São portadores da graça batismal, participantes do sacerdócio comum, fundado no único sacerdócio de Cristo. Nesse sacerdócio se baseia a fraternidade, a irmandade, a dignidade de todos na Igreja, enquanto única família de Deus...” (105, 110). “Foi para fortalecer o sacerdócio comum dos fiéis que o Senhor previu o sacerdócio ministerial, conferido a alguns batizados pelo sacramento da Ordem” (105, 111). À luz do Concílio Vaticano II entendemos que a Igreja é o povo santo de Deus, é o corpo de Cristo, é o templo do Espírito Santo. A Igreja é casa e escola de comunhão e missão.

A missão de evangelização do leigo começa dentro do lar e da família. A família, desejada por Deus desde o início da criação, é onde primeiro se conhece o Plano de Deus e onde vive-se um estado de vida matrimonial capaz de santificar os casais, unindo-os mais e mais ao Senhor e à experimentar os valores cristãos de modo prático. No sagrado matrimônio, os cônjuges recebem a vocação de serem, um para o outro, testemunhas do amor de Cristo e ferramentas de santificação. “Pode-se assim perceber grande diferença entre relacionamento íntimo entre um homem e uma mulher antes e fora do sacramento do matrimônio e o valor deste mesmo relacionamento no contexto sacramental matrimonial” (105, 138).

A responsabilidade do leigo na defesa dos valores da família cristã é enorme, pois ela é a célula primeira da sociedade e quando se torna separada e independente do Plano de Deus promove uma desestruturação e desagregação de toda a sociedade. Por isso é grande o perigo de relativizarmos questões relacionadas à criação, como sexualidade e direito à vida por exemplo, como realidades e ideologias autônomas, totalmente desvinculadas do Plano de Deus e sujeitas apenas à racionalidade e desejos individuais do ser humano.

Dentro da Igreja também são diversos os serviços e pastorais a serem realizados pelos leigos. Para unir e auxiliar o trabalho de evangelização temos o nosso Plano Diocesano de Pastoral 2017-2020, cujo objetivo é “uma melhor transmissão da fé, dar continuidade ao processo da Ação Evangelizadora da Diocese de Marília, conforme às cinco urgências pastorais da Igreja no Brasil”. O Plano Diocesano de Pastoral nos ajuda a caminhar unidos pela evangelização dentro de uma Igreja ministerial. “Uma Igreja toda ministerial oferece espaços de comunhão, corresponsabilidade e atuação dos leigos e colabora com a descentralização” (105, 152). Dentro da Igreja, são diversos os serviços a serem realizados pelos leigos, visando a evangelização e atuação junto aos irmãos das comunidades em que estejam inseridos, nas diversas pastorais e movimentos eclesiais.

Ressalto a importância dos Conselhos Pastorais e Conselhos de Assuntos Econômicos em todas as paróquias. “Os Conselhos Pastorais decorrem da eclesiologia de comunhão, fundamentada na Santíssima Trindade. São organismos de participação e corresponsabilidade. A ausência de Conselhos Pastorais é reflexo da centralização e do clericalismo” (105, 141). “A concordância entre Conselho Pastoral e o Conselho de Assuntos Econômicos, em todos os níveis, contribui para que não aconteça o mau uso do dinheiro e a prática da corrupção na Igreja, mas transparência na prestação de contas a quem a sustenta e ao Estado” (105, 142).

Mas o serviço e a postura de um cristão não se limitam apenas na família e da porta da Igreja para dentro; não podemos nem devemos ser cristãos apenas de domingo e dias de festa, nem usar a Igreja somente como refúgio espiritual, e sim levar a paz que encontramos nela para toda a sociedade. Como diz São Tiago, na segunda leitura: “O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3, 18). O Papa Francisco nos diz que a Igreja precisa de um compromisso cada vez mais ativo por parte dos leigos e que precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que “sujam suas mãos”.

Ao lado da boa vontade é fundamental que o leigo se capacite no conhecimento das Sagradas Escrituras e nos ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, pedindo sempre com humildade o discernimento do Espírito Santo, para que possa ter firmeza e clareza frente a um mundo cada vez mais caótico, que insiste em negar os valores cristãos de defesa da vida, da família e da justiça. Dessa forma, primeiro com o testemunho, mas também por meio do conhecimento, o cristão leigo poderá ser melhor conduzido pelo Espírito Santo, não apenas para fazer o bem, mas em muitas situações, para combater o mal. O leigo não deve jamais evangelizar ensinando o que quer, mas transmitir o que a Igreja ensina. “A atuação cristã no social e no político não deve ser considerada ‘ministério’, mas ‘serviço cristão no mundo’, na perspectiva do Reino” (105, 162).

A atuação cristã no social e no político é serviço cristão no mundo, serviço gratuito e desinteressado. A verdadeira grandeza, no Reino de Deus, é o serviço prestado com amor. Deixemo-nos tocar pelo que nos ensina o Papa Francisco sobre os leigos e a política: “Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente a sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é a sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum. Temos de nos convencer que a caridade é o princípio não só das microrrelações (...), mas também das macrorrelações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos. Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (EG, 205).

Por fim, devemos nos lembrar sempre de que, assim como o leigo não pode substituir o pastor, o pastor também não pode substituir os leigos e leigas no que lhes compete por vocação e missão (cf. 105, 8). Portanto cabe a todos nós, clero e laicato, responder sim ao Mestre que nos chama a ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14). Juntamente com Maria, a humilde serva do Senhor, sejamos servidores do Reino, na família, na Igreja e na sociedade. Assim, com toda certeza, em nossa querida Diocese de Marília compartilharemos uma felicidade que ninguém poderá tirar-nos!

Amém!

 

Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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