20
Seg, Ago

Homilia na Ordenação Diaconal de 9 seminaristas

Mensagens do Bispo

Homilia de Dom Luiz Antonio Cipolini na Ordenação Diaconal de 9 seminaristas

Saúdo a Dom Osvaldo Giuntini, Bispo Emérito de nossa Diocese de Marília, Dom José Carlos Brandão Cabral, Bispo de Almenara MG, saúdo ao Pe. Rogério de Lima Mendes, CP, pároco da Paróquia São José, que nos acolhe nesta noite e, na pessoa dele saúdo a todos os padres presentes. Padres de nossa Diocese e vindos de outras Dioceses. Saúdo aos diáconos, religiosos, religiosas, consagrados e seminaristas. Saúdo às autoridades e aos familiares dos seminaristas que daqui a pouco serão ordenados diáconos da Igreja, a serviço do Reino de Deus.

Caros Irmãos e Irmãs

Paz, amor e alegria são as três palavras-chave que Jesus nos confia nesta noite. No discurso de despedida, que acabamos de ouvir na proclamação do Evangelho, Jesus falou sobre muitas coisas aos seus discípulos, mas sempre em torno do mesmo ponto, representado por três palavras-chave: paz, amor e alegria.

Sobre a primeira palavra, a paz, recordamos que o Senhor nos dá uma paz diferente, não como aquela que o mundo nos apresenta, uma paz baseada na força das armas e alicerçada no poder do mais forte. Muito pelo contrário, Jesus nos capacita a construir um clima no qual reine a paz, fruto da justiça e do amor. Uma comunidade onde haja “um só coração e uma só alma” (At 4,32), onde não há lugar para fofocas, invejas, calúnias, difamações, mas só para a paz. Porque o perdão e o amor une a comunidade. O demônio procura dividir sempre, é o pai da mentira e, com ela, divide. Jesus nos mostra o caminho da paz e do amor entre nós. Os diáconos, como ministros sagrados, devem promover em grau eminente entre os homens a manutenção da paz e da justiça” (cf. CNBB, Doc. 96,77).

Em relação à segunda palavra-chave, o amor, Jesus havia dito muitas vezes que o mandamento é amar a Deus e amar o próximo. Mas, na passagem do Evangelho proposto pela liturgia de hoje, Jesus diz algo novo sobre o amor: não só ame, mas permaneça no amor. De fato a vocação cristã é permanecer no amor de Deus, isto é respirar e viver daquele oxigênio, viver aquele ar. Porque: “Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa” (2Tm 1,9a). De fato, a Igreja precisa de jovens corajosos, capazes de responder ao chamado, seguindo Jesus de perto e tendo um coração somente para Ele. Jovens que tenham a ousadia de esvaziar-se de outros interesses, de outros amores, para ter o coração livre da idolatria da vaidade, da idolatria da soberba, da idolatria do poder, da idolatria do dinheiro, podendo assim, seguir Jesus de perto e permanecer em seu amor. Este é o sentido profundo do celibato pelo Reino dos céus (cf. Mt 19,12).

“Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). Com esta declaração Jesus completa a profundidade de seu discurso sobre o amor. Mas como é este amor de Deus? “Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo” (Jo 15,9). Portanto é um amor que vem do Pai, e a relação de amor entre Jesus e o Pai, se torna relação de amor entre Ele e nós. Permanecer significa, por isso, permitir que ele nos ame. E como permanecer no amor? “Vós sereis os meus amigos se seguirdes meus preceitos” (Jo 15,14). Aqui está, guardar os mandamentos é um sinal de que permanecemos no amor de Jesus, de que somos seus amigos. E o amor nos leva a cumprir os mandamentos naturalmente, porque os mandamentos são o laço que une o Pai, Jesus e nós.

Depois, Jesus continua dizendo como devemos doar este amor aos outros: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Levar o amor de Cristo é nossa sublime missão. Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso ser. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. De fato, “na promoção social e na vivência das obras de misericórdia, o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da caridade com os pobres, envolvido na conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida” (CNBB, doc. 96, 58).

A terceira palavra é a alegria. “Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11). A alegria é o sinal do cristão, um cristão sem alegria não é um verdadeiro cristão! Para o cristão a alegria está presente mesmo na dor, nas tribulações e também nas perseguições. Permanecer significa, às vezes, estar com Cristo na cruz e na prova (cf. Lc 22,28). Olhemos para os jovens diáconos mártires do início do cristianismo, como Santo Estevão e São Lourenço, que caminhavam para o martírio “cheios de fé” (At 6,5) e com grande alegria cristã.

No entanto existem cristãos que preferem a tristeza, se movimentam melhor nas sombras e não na luz da alegria. A tristeza é uma das piores doenças do ser humano, nos afirma o Papa Francisco. Ela corrói o coração, obscurece a alma e consome nossas energias. É preciso superar o medo da alegria e pensar quantas vezes nós não somos alegres porque temos medo de amar. Jesus, com a sua ressurreição, nos dá a alegria de ser cristãos, a alegria para segui-Lo de perto, a alegria de caminhar nas estradas das Bem-aventuranças, a alegria de estar com Ele, falar com Ele: Jesus, eu acredito na vossa ressurreição, acredito que estás perto de mim, que não vai me abandonar. Este é o diálogo com Jesus, próprio da vida cristã, animado pela consciência de que Jesus está sempre conosco, com nossas dificuldades e com nossas boas obras.

Três palavras-chave, portanto: paz, amor e alegria, que de fato, não são do mundo, mas do Pai. É o Espírito Santo que doa esta paz; que doa este amor que vem do Pai; este amor entre o Pai e o Filho que, em seguida, vem a nós; e nos dá alegria. O Espírito Santo é o grande dom e ao mesmo tempo o doador da paz. Ele nos ensina a amar, nos enche de alegria e nos envia em missão.

Ajudai Senhor, estes nove jovens, para que sejam livres e não escravos, de modo que tenham um coração somente para Ti. Deste modo, o vosso chamado poderá encontrar resposta, poderá dar frutos para o vosso Reino. Que “Maria, mãe de Jesus, a grande servidora, que manteve plena fidelidade aos desígnios do Pai” (CNBB, doc 96,174), seja vosso modelo de disponibilidade e amor. Que o Espírito Santo possa habitar nos seus corações e dar-lhes esta alegria indescritível e gloriosa, que possui cada pessoa, que segue Jesus de perto. Amém!

Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
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