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Ter, Dez

Homilia da Missa do Crisma

Mensagens do Bispo

Homilia de Dom Luiz Antonio Cipolini na Missa do Crisma em Osvaldo Cruz - 27/03/2018

Amados Irmãos e Irmãs.

Nós bispos e padres estamos aqui reunidos para renovar os votos da nossa fidelidade presbiteral. Fomos ungidos, assim como todos vocês, na graça do Batismo e da Crisma, mas, além disto, foram ainda ungidas as nossas mãos, com as quais renovamos o sacrifício de Jesus Cristo, sobre nossos altares. E estão ungidas também nossas cabeças, porque o Espírito Santo escolheu alguns dentre nós e chamou-nos para presidir à Igreja. Somos nós, os Bispos, escolhidos por Deus, não por merecimentos próprios, mas por pura bondade e misericórdia.

No entanto, cada um de nós, meus Irmãos e Irmãs, participa da missão confiada a toda a Igreja pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, missão originada pela obra do mistério pascal de Jesus Cristo. A unção e a missão são próprias de todo o povo de Deus. Ouçamos o que nos diz o livro do Apocalipse: “A Jesus que nos ama, e que nos lavou de nossos pecados com seu sangue, e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém” (Ap 1,5-6).

A unção e a missão são próprias de todo o povo de Deus, no entanto vale lembrar neste ano nacional do Laicato, o que nos ensina o Concilio Vati. II: “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um para o outro; na verdade, um e outro participam, a seu modo peculiar, do único sacerdócio de Cristo” (LG 10).

Isto significa que o sacerdote não existe para si mesmo, mas para os leigos e leigas. É o sacerdote quem os anima e apoia no exercício do sacerdócio comum dos batizados. Esse exercício consiste em fazer da própria vida uma oferenda espiritual, em dar testemunho do evangelho na família, na escola, na política, nos encargos assumidos na sociedade. Segundo o documento de Aparecida “a missão dos leigos se realiza de modo que seu testemunho e sua atividade contribuam para a transformação do mundo, segundo o Evangelho” (DAp 210). Que valor você atribui à vocação laical?

Entretanto, nos afirma São João Paulo II, “o serviço do sacerdote é de outra ordem diversa. Ele foi ordenado para atuar em nome de Cristo-cabeça, para levar os homens a entrar na vida nova trazida por Cristo, para lhes dispensar os seus mistérios – Palavra, Perdão, Pão da Vida – reuni-los no seu corpo, ajuda-los a formarem-se interiormente, a viverem e agirem segundo o desígnio salvífico de Deus. Numa palavra, a nossa identidade de sacerdotes manifesta-se no desenvolvimento criativo do amor pelas almas comunicado por Cristo Jesus” (Carta aos Sacerdotes, 1986, p.10). O sacerdócio ministerial é nossa herança, é também nossa vocação e a nossa graça. Que valor atribuímos à nossa vocação? Rezamos uns pelos outros?

Amado Presbitério, amados Irmãos e Irmãs, “parece que nas dificuldades atuais Deus quer nos ensinar, de maneira mais profunda, qual o valor, a importância e a centralidade da Cruz de Jesus Cristo” (LG 11). Por isso a oração deve ser a alma do sacerdote e também de todos os cristãos leigos. Uma oração silenciosa, contemplativa, geralmente na igreja, aos pés do sacrário. O nosso desafio é conservar a união com Deus, muitas vezes, no meio de uma vida extremamente ocupada.

Na sociedade globalizada em que vivemos vale perguntar: Como rezamos e quanto diante do Santíssimo Sacramento? Formamos neste sentido os nossos fiéis? Empenhamo-nos em fazer das nossas igrejas casa de Deus, para onde a presença divina atraia os nossos contemporâneos que, com muita frequência têm a impressão de um mundo vazio de Deus?

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