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Homilia da Missa Exequial do Cônego Mauricio Pilon

Mensagens do Bispo

Homilia de Dom Luiz Antonio Cipolini na Missa Exequial do Cônego Maurício Pilon, realizada no Santuário Sagrado Coração de Jesus de Vera Cruz - 09 de março de 2018

Saúdo a Dom Osvaldo Giuntini, Bispo Emérito de nossa Diocese, ao Pe. Marcos Roberto Marques Ortega, Pároco e Reitor deste Santuário do Sagrado Coração de Jesus e, na pessoa Dele, saúdo aos demais padres aqui presentes. Saúdo aos Religiosos, Autoridades, Seminaristas e ao querido Povo de Deus aqui reunido.

Hoje nos reunimos para dar graças a Deus pela vida deste nosso amigo e irmão sacerdote, o querido Cônego Maurício Pilon. Agradecemos a Deus por tudo aquilo que em seus 95 anos, por palavras e atos, pregou e testemunhou, e agora nos céus é recompensado, através do encontro com o Amor divino! Um padre em cuja vida transparece o autêntico rosto missionário de Jesus Cristo!

Filho de Leon Pilon e Maria Rosa Bedard, primogênito de uma família de nove irmãos, nasceu no dia 14 de maio de 1922, em São Pedro, cidade próxima a Montreal, no Canadá. Desde criança, como coroinha, sentia forte vocação ao sacerdócio. Muito humilde, indagava consigo mesmo: “Será que conseguirei ser um bom Padre? É uma responsabilidade muito grande...”. Os anos passaram e a resposta veio a seu tempo: 65 anos de sacerdócio! Um sacerdote discípulo missionário de Jesus Cristo e da Igreja.

Em sua infância foi esportista, era goleiro de Hóquei, ajudava o Padre na pequena cidade onde nasceu e sentia forte chamado à vida sacerdotal. “Um dia fui orar no sacrário – dizia o Cônego Maurício – pois estava em dúvidas se me tornaria sacerdote e se iria para o seminário. Rezando, naquele momento, ouvi uma forte mensagem que dizia: ‘Antes de saíres do ventre de tua mãe, eu te conhecia, eu te consagrei’” (Jr 1,5).

Desde então suas dúvidas se dissiparam e a alegria tomou conta do coração daquele jovem que viria a dizer: “Sou feliz por ser um servo de Cristo”, e que seria apelidado carinhosamente pelos conhecidos como “Menino Jesus”, devido ao aspecto de seu cabelo. Perseverando em seus propósitos cursou filosofia no seminário menor Trois-Rigaud e teologia no seminário maior de Ottawa. Foi ordenado sacerdote no dia 25 de abril de 1952, na catedral da Diocese de Otttawa.

Exerceu o ministério no Canadá até a década de 1960, quando veio pra o Brasil a pedido de Dom Hugo Bressane de Araújo, para suprir a falta de sacerdotes da recém criada Diocese de Marília. Para aprender a língua portuguesa foi necessário um período de estudos no Colégio Cristo Rei e no dia 22 de novembro de 1961 assumiu a Paróquia de Santa Cecília, em Monte Castelo onde, a princípio, ficou hospedado na casa de um paroquiano. No relacionamento diário com as pessoas desta comunidade aprendeu a amar o povo brasileiro, principalmente os pobres e necessitados.

Convivendo com o povo, com suas alegrias e tristezas foi se tornando um padre cada vez mais brasileiro e de sua pátria de origem, restou apenas o sotaque. Cursou Ciências Religiosas e Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e em 1967 recebeu de Dom Hugo o título eclesiástico de Cônego por seu exemplo de vida e pela dedicação aos trabalhos pastorais. Um ano depois retornou ao Canadá, atendendo solicitação do bispo de Ottawa, a fim de reanimar uma paróquia da sua diocese de origem.

Em 1975 retorna ao Brasil, requisitado por Dom Daniel Tomazella, que o designou pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Oriente. Nesta paróquia desenvolveu um intenso trabalho de evangelização e dinamização das pastorais. Em 1992, por solicitação de Dom Osvaldo Giuntini, retornou a Monte Castelo, onde ficou até março de 1998.

Em abril de 1998, atendendo às necessidades da diocese, veio para a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, substituindo o Monsenhor Florentino Santamaria. Aqui foi acolhido com muito carinho ao qual procurou retribuir com um intendo trabalho de evangelização, celebrando os sacramentos, animando as pastorais e movimentos, particularmente a Legião de Maria. Preparava suas homilias com carinho e atenção, centrando sua pregação em Jesus Cristo, sua presença real na Eucaristia e também na devoção à Virgem Maria, Mãe amorosa que caminha conosco e nos orienta nas dificuldades da vida.

Caros Irmãos e Irmãs o sacerdote é aquele homem que renuncia a tudo para possuir a única herança que escolhida no dia de sua ordenação sacerdotal: Jesus Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6). Somente um sacerdote apaixonado pelo Senhor pode renovar uma paróquia, mas ao mesmo tempo deve ser um ardoroso missionário, que vive o constante desejo de buscar os afastados e não se contenta com a simples administração (cf. DAp 201).

Como verdadeiro discípulo missionário o Cônego Maurício é testemunho vivo de alguém que entregou toda a sua vida a Deus, a serviço da Igreja. Renunciou primeiro à sua terra natal, aos parentes e amigos, à sua língua materna e a tantas realidades, com o desejo ardente de possuir e levar o amor de Cristo a todos. Portanto é este mesmo Jesus, ao qual Ele procurou configurar-se, que lhe diz hoje estas palavras consoladoras: “Não se perturbe o teu coração... na casa de meu Pai há muitas moradas... voltarei e te levarei comigo, a fim de que onde eu estiver esteja você também” (Jo 14,1-6).

Descanse em paz bom pastor!

Descanse em paz servo bom e fiel!

Descanse em paz discípulo missionário do Senhor!

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
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