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Seg, Jun

Homilia da Quarta-feira de Cinzas

Mensagens do Bispo

Homilia de Dom Luiz Antonio Cipolini na missa da Quarta-feira de Cinzas realizada na Catedral São Bento - 14 de fevereiro de 2018

A Campanha da Fraternidade que começa hoje, juntamente com o tempo da quaresma, coloca diante de nossos olhos o desafio da superação da violência, recordando que “somos todos irmãos” (Mt 23, 8). A Igreja no Brasil faz uma verdadeira provocação a cada um de nós e a toda sociedade, a partir do chamado à conversão.

Uma conversão que se faz urgente, diante de situações terríveis que destroem a fraternidade e nos impedem de caminhar com fidelidade no seguimento de Jesus. É triste ter que afirmar que a violência é o prato cotidiano de nossa realidade! No entanto, esta é a verdade nua e crua que todos nós presenciamos. E é ainda pior perceber que ela não está somente nas ruas, mas dentro das nossas casas, no ambiente familiar e, infelizmente, às vezes ela se encontra enraizada em nosso próprio coração.

É só perceber quanta violência brota dentro de nós quando somos afrontados ou ameaçados por qualquer motivo. Vemos aflorar as reações mais absurdas e anti fraternas nas discussões familiares, no relacionamento entre pais e filhos, nos desentendimentos com os vizinhos, no trânsito, na torcida de futebol, nas escolhas e opções políticas, nas diferenças sexuais e, até mesmo, na intolerância religiosa.

Tudo isso sem contar com a violência organizada e quase institucionalizada do narcotráfico, da indústria de armamentos, da desigualdade econômica e da corrupção política de nosso País. E Como a violência só tende a gerar mais violência, assistimos a uma escalada interminável que vai destruindo a fraternidade e as condições de se conviver em paz. Esta espiral da violência só pode ser mudada pela força da não violência ativa que se faz possível quando temos os olhos fixos no coração de Jesus e procuramos superar a violência com os sentimentos Dele (cf. Fl 2,5).

No evangelho, Jesus chama a atenção para três práticas: esmola, jejum e oração. Tais ações devem ser realizadas no oculto, para que só Deus as veja. Essa é a atitude do verdadeiro discípulo, da pessoa que faz o bem por amor, e não para receber aplausos dos outros: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” (Mt 6, 3-4).

Durante a caminhada quaresmal, com as práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, procuremos refazer o itinerário de nossa fé, centrando o nosso coração no amor de Deus. Peçamos que o Senhor nos purifique em sua misericórdia, que arranque de nosso peito o coração de pedra e nos dê um coração capaz de amar e perdoar na medida Dele. Para tal nos ajuda tanto uma sincera confissão. Não podemos deixar para amanhã, não percamos a oportunidade: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2), nos diz o apóstolo Paulo.

Busquemos também participar dos encontros de reflexão e oração em nossas comunidades, procurando sempre assumir atitudes concretas de superação da violência. Vigiemos os nossos relacionamentos, as nossas atitudes, as nossas palavras, os nossos pensamentos e não nos esqueçamos de perceber também aonde estão as nossas mais graves omissões para superar a viol6encia e fortalecer a fraternidade.

Que todos tenhamos uma abençoada e santa quaresma, rumo à Páscoa de Nosso Senhor!

 

 

 

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