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Sab, Abr

Cultura de Misericórdia

Mensagens do Bispo

No encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, no último dia 20 de novembro, o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica “Misericordia et misera”, convidando-nos a “continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina” (n. 5).

O título da carta lembra o encontro de Jesus com duas mulheres: a adúltera (Cf. Jo 8,1-11) e a pecadora (Cf. Lc 7,36-50). Encontraram Jesus, o rosto visível da misericórdia do Pai, com a miséria do nosso pecado, representado na fi gura das pecadoras. Pecado que foi revestido pela misericórdia, “pois nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão” (n. 2).

Através da Carta Apostólica “somos chamados a fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos” (n. 20). Os cristãos devem ser protagonistas de uma verdadeira “revolução cultural” a partir da simplicidade de gestos que toquem o corpo e o espírito, isto é, a vida das pessoas.

O convite do Papa Francisco parte da constatação de que vivemos numa cultura dominada pela tecnologia, onde multiplicam-se as mais variadas formas de tristeza e solidão, em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens. “O futuro parece estar refém da incerteza, que não permite estabilidade. É assim que muitas vezes surgem sentimentos de melancolia, tristeza, tédio, que podem, pouco a pouco, levar ao desespero” (n. 3).

Quais seriam os caminhos para a cultura da misericórdia? A cultura da misericórdia forma-se, primeiramente, na oração assídua. Neste contexto assume significado particular a escuta da Palavra de Deus. “É meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, através dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia” (n. 7). Entre tais iniciativas, conta-se certamente uma difusão mais ampla da lectio divina.

A celebração do Sacramento da Reconciliação é outra maneira de crescer na cultura da misericórdia. O Papa convida os fiéis a se aproximar deste sacramento e também motiva os presbíteros a se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal: “Concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto” (n. 12). Um forte apelo pastoral para a celebração deste sacramento pode ser a celebração das 24 Horas para o Senhor nas proximidades do IV Domingo da Quaresma.

Um terceiro passo para formar a cultura da misericórdia é a solidariedade concreta para com os pobres. Facilmente caímos na tentação de nos limitar a fazer a “teoria da misericórdia” e, somente superamos esta tentação, na medida em que a misericórdia se faz vida diária de participação e partilha. “Intuí como mais um sinal concreto deste Ano Santo Extraordinário, que se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do 33º Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres [...] este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização, procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia” (n. 21).

No tempo do Advento, façamos o propósito de construir a cultura da misericórdia. Experimentar a misericórdia dá alegria, que ela permaneça bem enraizada em nosso coração e sempre nos faça olhar com serenidade e esperança a vida do dia-a-dia. Que Maria, a Mãe da Misericórdia, juntamente com São José, nos ajude a contemplar o Menino Jesus, rosto radiante da misericórdia do Pai e a sermos instrumentos de misericórdia. Feliz Natal!!

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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