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Sab, Abr

Encontro de casais na Paróquia São Bento – Catedral

Mensagens do Bispo

PARÓQUIA SÃO BENTO - CATEDRAL

MARÍLIA 21 DE SETEMBRO DE 2014

Amados Irmãos e Irmãs

Estamos no mês de setembro, mês da Bíblia. A Palavra de Deus é alimento para nossa vida, como nos diz a Sagrada Escritura: "Não somente de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,6). A Palavra de Deus é luz que ilumina nosso caminho é lâmpada para os nossos pés. Por isso vamos meditar agora sobre a Palavra que ouvimos, vamos acolher a palavra em nosso coração, para que ela se torne vida na nossa vida.

No evangelho de São Mateus, ouvimos que Jesus nos fala sobre o dono de uma "Vinha" (Mt 20,1). O dono da vinha, o patrão, se preocupa porque é a época da colheita, a uva está madura e é preciso colhê-la e esmagá-la com rapidez. O patrão tem pressa para terminar o trabalho o quanto antes. O trabalho é grande e o patrão sai à procura de operários, diaristas, "chapas", cinco vezes no dia: de madrugada, no meio da manhã, ao meio dia, às 15 horas e, por último, às 17 horas, faltando apenas uma hora para concluir a jornada de trabalho.

Até este ponto, nada de estranho aconteceu, tudo correu normalmente. O problema surge no fim da tarde, quando chega a hora do pagamento. O patrão manda entregar a todos o pagamento combinado, ou seja, "uma moeda de prata" (Mt 20, 2), começando pelos que foram contratados por último, isto é, às 17 horas. Os trabalhadores da primeira hora, são obrigados a assistir ao pagamento dos colegas que, sem "suportar o cansaço e o calor o dia inteiro" (Mt 20, 12), sem suar o corpo, recebem o mesmo pagamento que eles. Este comportamento, cheio de compaixão, do "Senhor da Vinha" nos surpreende. Por que será? Por que, ainda hoje, temos a impressão de que os operários da última hora receberam um pagamento não merecido?

Talvez porque nos esquecemos do Deus bom, pai, amigo e fiel, anunciado pelos profetas, e o substituímos por um deus distante, legislador e juiz. O deus distante, legislador e juiz não dá nada gratuitamente, quem quiser a sua benção deve merecê-la. Esquecemos que Deus nunca se cansa de sair ao nosso encontro, mesmo quando nós falhamos em todos os encontros. Ele não nos remunera pelos nossos próprios méritos. Esquecemos que a melhor atitude que devemos tomar, diante do Pai que está nos céus, é aquela da criança que não se prevalece de nenhum direito, não merece nada, tem sempre os olhos voltados para o Pai, esperando tudo de sua grande bondade e generosidade (Mt 20,15).

A primeira leitura, do livro do profeta Isaías nos diz que "como o céu está longe da terra, da mesma forma o modo de pensar de Deus supera o nosso" (Is 55,9) e pede para corrigir o nosso modo de pensar, não pretendendo mudar o pensamento de Deus. O papa Francisco, na sua exortação apostólica "A alegria do evangelho" nos diz: "Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: Senhor deixei-me enganar de mil maneiras e fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de vós. Resgatai-me de novo, Senhor, aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores" (EG 3).

Deus nos ama gratuitamente e nos acolhe com a mesma gratuidade em seu Reino. O Reino de Deus não se baseia em mérito-recompensa, mas é puro dom. A maneira de Deus agir não se iguala à nossa. Deus não é como o ser humano, seus pensamentos são totalmente diferentes. Na vinha do Senhor trabalha-se gratuitamente, não se trabalha para ter um salário maior, não se pratica o bem em favor do irmão para ter o direito a um prêmio no céu. O cristão ama porque descobriu como é bonito amar desinteressadamente, como Deus Pai ama.

É isso que fez o apóstolo Paulo. Por muitos anos trabalhou pela causa do evangelho, suportou muitos sofrimentos e muitas perseguições; agora sente-se cansado e começa a pensar sempre com maior freqüência no encontro definitivo com aquele Jesus ao qual dedicou a sua vida inteira. Deseja morrer para estar sempre com Cristo, mas este desejo contraria um outro: gostaria também de continuar trabalhando para a difusão do Evangelho e para consolidar as comunidades que fundou. Então, num gesto de grande generosidade, se declara disposto a adiar por um pouco de tempo o seu encontro com Cristo para continuar servindo aos irmãos. A famosa frase: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer um lucro" (Fl 1,21), resume muito bem os sentimentos de Paulo.

Amados Irmãos e Irmãs, queridos casais, vamos deixar a Palavra de Deus questionar a nossa vida: Qual é o meu lugar, qual a minha tarefa na vinha do Senhor? Devo me comportar como um simples expectador? Não haverá trabalho para todos? Será que Deus me chama para realizar algo em favor de meus irmãos, da minha família, da minha comunidade? Como tenho respondido aos apelos de Deus na minha vida?

O próprio fato de votar conscientemente é um trabalho gratuito do cristão, em favor da sociedade. O papa Francisco afirma: "A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum. Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que levem verdadeiramente a sério a sociedade, o povo, a vida dos pobres" (EG 205).

Que o Espírito Santo nos guie em nossa vida familiar de cristãos.

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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