17
Sab, Abr

Homilia da Ordenação Diaconal do Seminarista Ivã Luís de Oliveira Baisso

Mensagens do Bispo

DIA 01 DE AGOSTO DE 2014 – PARÓQUIA SÃO PEDRO DE TUPÃ

Saúdo ao querido Bispo Dom Osvaldo Giuntini, ao Chanceler Pe. Maurício Pereira Sevilha, ao Vigário Episcopal da Região Pastoral 2, Pe. José Orandi da Silva e, na pessoa dele, saúdo a todos os presbíteros aqui presentes. Saúdo também aos Diáconos, Religiosos e Religiosas, aos Formadores, Seminaristas e a todas as Autoridades civis e militares que se fazem presentes. Uma saudação especial aos familiares do seminarista Ivã, especialmente aos seus pais Odair Baisso e Gessilda Maria Oliveira Baisso.

Amados Irmãos e Irmãs. A ordenação do seminarista Ivã abre para nós, de forma especial na Igreja Particular de Marília, o mês vocacional. Diante da Palavra de Deus, que acabamos de ouvir, nos perguntamos novamente: O que é vocação? Diversamente da profissão, que implica a dedicação a uma tarefa especializada, a vocação consiste na escuta interior de um apelo que dá sentido e valor à vida inteira. Ao contrário da profissão, que costuma ser motivada por razões utilitárias e práticas, a vocação representa o encontro do homem com seu autêntico caminho, fazendo-o centrar-se e realizar-se na dimensão mais profunda de sua existência. Uma vocação é capaz de integrar todas as tarefas profissionais e dar sentido até mesmo às ocupações mais insignificantes. A vocação é a alma da atividade e das tarefas profissionais das pessoas. Sem ela, o trabalho e a própria vida se tornam monótonos e perdem o seu supremo valor.

A vocação apresenta sempre uma dimensão essencialmente religiosa, pois está arraigada na dimensão mais profunda das pessoas e as orienta decisivamente em seu viver. A vocação é sempre um apelo pessoal. Um chamado de Deus que escolhe e uma pessoa que escuta. Por isso, Deus costuma dirigir-se às pessoas chamando-as por seu próprio nome e, em alguns casos, chega até a mudar o nome do escolhido, para mostrar que da sua vocação brota uma nova pessoa. Nesta celebração, o seminarista Ivã, responde de maneira solene e perpétua, ao chamado de Deus para servir à Igreja na Ordem do Diaconato. Fortalecido com o dom do Espírito Santo, ele deverá ajudar o Bispo e seu Presbitério no serviço da Palavra, do altar e da caridade, mostrando-se servo de todos.

Servir significa realizar uma tarefa em benefício de outro. A palavra serviço apresenta dois sentidos opostos. O serviço pode dar-se como situação imposta por uma pessoa a outra, contra a sua vontade. Nesse caso, quanto mais total é o serviço, maior é a degeneração. A escravidão é o grau extremo dessa servidão, quando o dono impõe sua vontade sobre o servo, convertendo-o em um objeto à sua disposição. Mas, quando o serviço é livre e escolhido por amor, converte-se em heroísmo nobre e sublime. Então, é a generosidade do coração que nos leva a nos colocarmos voluntariamente a serviço dos outros, especialmente dos mais necessitados.

Os profetas, como Jeremias, na primeira leitura da liturgia de hoje, chamado desde o ventre materno para servir como porta voz de Deus diante das nações, responde com generosidade a este serviço, e o próprio Cristo se apresenta como o grande Servo de Iahweh, o servo eleito. Toda a obra de Cristo pode ser considerada como um ato de serviço às pessoas. Muito embora pudesse apresentar títulos para que os outros o servissem, Jesus preferiu escolher o caminho de servir aos outros. Ele serviu aos pobres e humildes, dedicando-lhes sua vida e seus ideais. E escolheu como caminho libertador das pessoas o caminho de tornar-se escravo para libertar os que estavam submetidos à escravidão, e por isso foi considerado um malfeitor, sendo morto numa cruz, como era feito aos escravos mais desprezíveis. É por isso que a cruz está no centro do serviço, que significa sempre morrer para si mesmo a fim de que outros vivam e renasçam.

Assim, Cristo constitui o modelo dos cristãos, que devem ser servidores dos outros. A palavra diakonia se aplica antes de tudo a serviços materiais necessários à comunidade, como o serviço das mesas e a coleta para os pobres de Jerusalém. Mas o ministério diaconal vai além do serviço material, pois os diáconos pregam, e Felipe, como ouvimos na segunda leitura, é expressamente qualificado de evangelista. Os servos de Cristo são servos da Palavra. Servem a Deus como filhos e não como escravos, porque o servem na novidade do Espírito. A graça que os fez passar da condição de servos à de amigos de Cristo lhes dá condições de servir tão fielmente a seu Senhor que estão certos de comungar de sua alegria.

A civilização consumista moderna em que vivemos nega, em sua mais profunda essência, essa concepção evangélica de serviço. Os valores supremos na sociedade atual são o dinheiro e a aquisição de bens. É por isso que Cristo contrapõe radicalmente o serviço do Evangelho e o serviço ao dinheiro: trata-se de "deuses" incompatíveis. Jesus especifica o nome do rival que pode impedir este serviço: o dinheiro. O dinheiro torna injustos os que estão a seu serviço e amá-lo, dirá o Apóstolo Paulo, é um culto idolátrico. É preciso escolher: "Ninguém pode servir a dois senhores, pois ou odeia um e ama o outro, ou agradará a um e desprezará o outro. Não podeis estar a serviço de Deus e do dinheiro" (Mt 6,24).

O diaconato do seminarista Ivã será exercido no estado do celibato. Jesus também viveu uma vida integralmente celibatária, não por desprezar a sexualidade ou considerar que ela torne a pessoa impura, mas sim para viver uma entrega total e ilimitada à causa de seu Pai. Só o Reino de Deus justifica o celibato cristão, fora dessa dedicação ao reino, o celibato pode tender a degenerar em evasão ou isolamento. O celibato é, ao mesmo tempo, um incentivo da caridade pastoral e incomparável fonte de fecundidade no mundo. Impelido por sincero amor a Cristo e vivendo em total dedicação neste estado de vida, o Ivã se consagrará mais facilmente a Cristo, com um coração sem partilha, dedicando-se mais livremente ao serviço de Deus e da humanidade.

Prezado Ivã, sinto-me feliz em acolher-te no clero de Marília. Tenho certeza de encontrar em você um verdadeiro servo da Palavra de Deus e dos Pobres. Servir à Palavra, como nos exorta o Papa Francisco consiste na "belíssima e difícil missão de unir os corações que se amam: o do Senhor e os do seu povo" (EG 143) e servir aos Pobres significa "estar docilmente atentos, para ouvir o seu clamor e socorrê-los" (EG 187). Conto também com a tua colaboração no estudo e implantação do nosso Primeiro Plano Diocesano de Pastoral que, como acredito firmemente, pode unir nossas três Regiões Pastorais, num só compromisso de fé em Jesus, e nos ajudar a continuar no mundo a sua ação salvadora.

Caríssimo Ivã, confio o teu diaconato à carinhosa intercessão da Virgem Maria, a Senhora Aparecida, e ao Apóstolo São Pedro, padroeiro de nossa Diocese e desta querida Comunidade Paroquial de Tupã. Assim seja!

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
clique para baixar
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
Área de arquivos
Materiais disponibilizados pela Diocese e pelas pastorais

capa266