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Seg, Nov

Queridos jovens amigos!

«É bom para nós estarmos aqui!» (Mt 17, 4). Estas palavras foram pronunciadas por São Pedro, no Monte Tabor, quando se viu na presença de Jesus transfigurado em glória. É verdadeiramente bom para nós estarmos aqui, juntos, neste Santuário dos Mártires Coreanos, nos quais se revelou a glória do Senhor na aurora da vida da Igreja neste país. Nesta grande assembleia, que reúne jovens cristãos da Ásia inteira, de certo modo podemos pressentir a glória de Jesus presente no meio de nós, presente na sua Igreja que abraça toda a nação, língua e povo, presente com a força do seu Santo Espírito que faz novas, jovens e vivas todas as coisas.

Agradeço a vossa calorosa recepção. Muito calorosa, muito calorosa! E agradeço o dom do vosso entusiasmo, os cânticos cheios de alegria, os testemunhos de fé e as lindas expressões da variedade e riqueza das vossas diferentes culturas. De modo particular, agradeço a Mai, Giovanni e Marina, os três jovens que partilharam comigo as vossas esperanças, inquietações e preocupações. Escutei-as atentamente e guardo-as no meu íntimo. Agradeço a Dom Lazzaro You Heung-sik as suas palavras de boas-vindas e vos saúdo a todos do fundo do coração.

Nesta tarde, quero deter-me a reflectir convosco sobre uma parte do tema desta VI Jornada Asiática da Juventude: «A glória dos Mártires resplandece sobre vós». Tal como o Senhor fez resplandecer a sua glória no testemunho heróico dos mártires, do mesmo modo deseja que a sua glória resplandeça na vossa vida e, por vosso intermédio, deseja iluminar a vida deste grande Continente. Hoje Cristo bate à porta do vosso coração, do meu coração; convida a vós e a mim a levantar-nos, a permanecer bem despertos e atentos, a ver as coisas que verdadeiramente contam na vida. Mais ainda! Pede a vós e a mim para ir pelas estradas e caminhos deste mundo e baterdes à porta do coração dos outros, convidando-os a recebê-Lo na sua vida.

Este grande encontro dos jovens da Ásia permite-nos vislumbrar algo daquilo que a própria Igreja é chamada a ser no projecto eterno de Deus. Juntamente com os jovens de toda a parte, quereis empenhar-vos na construção de um mundo onde todos vivam juntos em paz e amizade, superando as barreiras, recompondo as divisões, rejeitando a violência e os preconceitos. Isto é justamente o que Deus quer de nós. A Igreja é germe de unidade para a família humana inteira. Em Cristo, todas as nações e povos são chamados a uma unidade que não destrói a diversidade, mas a reconhece, harmoniza e enriquece.

Como está longe desta magnífica visão e deste projecto o espírito do mundo! Quantas vezes nos parece que as sementes de bem e de esperança que procuramos semear acabam sufocadas pelos cardos do egoísmo, da inimizade e da injustiça; e não só ao redor de nós, mas também nos nossos corações. Preocupa-nos o desnível crescente entre ricos e pobres nas nossas sociedades. Vemos sinais de idolatria da riqueza, do poder e do prazer, que se obtêm com custos altíssimos para a vida humana. Ao nosso lado, muitos dos nossos amigos e coetâneos, embora rodeados de grande prosperidade material, sofrem de pobreza espiritual, solidão e silencioso desespero. Parece quase que Deus fora removido deste horizonte; é como se um deserto espiritual se estivesse propagando em todo o mundo. Este deserto atinge também os jovens, roubando-lhes a esperança e, em demasiados casos, até a própria vida.

E, no entanto, este é o mundo aonde estais chamados a ir testemunhar o Evangelho da esperança, o Evangelho de Jesus Cristo e a promessa do seu Reino – este é o teu tema, Marina. Falarei ainda dele... Nas suas parábolas, Jesus ensina-nos que o Reino entra no mundo de forma humilde, e desenvolve-se silenciosa e constantemente onde é acolhido por corações abertos à sua mensagem de esperança e salvação. O Evangelho ensina-nos que o Espírito de Jesus pode trazer nova vida ao coração de todo o homem e transformar qualquer situação, mesmo aquela aparentemente sem esperança. Jesus pode transformar, pode transformar todas as situações! Esta é a mensagem que sois chamados a partilhar com os vossos coetâneos: na escola, no mundo do trabalho, nas vossas famílias, nas universidades e nas vossas comunidades. Em virtude de Jesus ter ressuscitado dos mortos, sabemos que Ele tem «palavras da vida eterna» (Jo 6, 68) e que a sua palavra tem o poder de tocar todo o coração, vencer o mal com o bem, mudar e redimir o mundo.

Queridos jovens amigos, neste nosso tempo, o Senhor conta convosco! Ele está a contar convosco! Ele entrou nos vossos corações no dia do vosso Baptismo; deu-vos o seu Espírito no dia da vossa Crisma; fortalece-vos constantemente através da sua presença na Eucaristia, para poderdes ser suas testemunhas diante do mundo. Estais prontos a dizer «sim» a Ele? Estais prontos?

Obrigado! Estais cansados? [Não!] Tendes a certeza? [Sim] Meus amados amigos, como disse ontem: «Vós não podeis falar a um jovem com papéis; deveis falar, dirigir-vos aos jovens espontaneamente a partir do coração». Mas eu tenho uma grande dificuldade: tenho um inglês pobre. [Não!] Sim, sim! Mas, se quiserdes, posso dizer outras coisas espontaneamente... [Sim!] Estais cansado? [Não!] Posso continuar? [Sim!] Mas vou fazê-lo em italiano. [voltando-se para o intérprete] Tu vais traduzir? Obrigado! Continuamos!

Eu senti de forma muito intensa aquilo que disse Marina: o conflito que sente na sua vida. Como fazer? Seguir o caminho da vida consagrada, a vida religiosa, ou estudar a fim de estar melhor preparada para ajudar os outros. Trata-se de um conflito aparente, porque, quando o Senhor chama, chama sempre para fazer o bem aos outros, quer na vida religiosa, na vida consagrada, quer na vida laical, como pai e mãe de família. Mas o objectivo é o mesmo: adorar a Deus e fazer o bem aos outros. Então que deve fazer Marina e muitos de vós que vos pondes a mesma pergunta? Eu também a fiz no meu tempo: Que caminho devo escolher? Mas, tu não deves escolher caminho algum: é o Senhor que o deve escolher! Jesus escolheu-o, tu deves ouvi-Lo e perguntar: «Senhor, que devo fazer?» Esta é a súplica que um jovem deve fazer: «Senhor, que quereis Vós de mim?». E, com a oração e o conselho de alguns amigos verdadeiros – leigos, padres, freiras, bispos, papas... (o Papa também pode dar um bom conselho) – com o conselho deles, encontrar o caminho que o Senhor quer para mim.

Vamos rezar juntos!

[Volta-se para o sacerdote tradutor] Tu faz repetir em coreano: «Senhor, que quereis Vós da minha vida?» Fá-lo três vezes.

Oremos! Vamos orar!

Tenho a certeza que o Senhor vos escutará. Mesmo a ti, Marina, com certeza. Obrigado pelo teu testemunho. Desculpa! Enganei-me no nome: a pergunta foi feita por Mai; não pela Marina.

E Mai falou ainda de outra coisa: dos mártires, dos santos, das testemunhas. E disse-nos, com um pouco de tristeza, um pouco de nostalgia, que na sua terra natal, no Camboja, ainda não existem Santos. Bem, nós esperamos... que haja Santos e muitos! Mas a Igreja ainda não reconheceu, não beatificou, não canonizou nenhum. E eu agradeço-te imenso, Mai, por teres lembrado isto. Prometo-te que terei o cuidado, quando tornar a casa, de falar ao encarregado destas coisas – que é um bom homem, chama-se Ângelo –, pedindo-lhe para fazer uma pesquisa sobre isso e ajudar a avançar. Obrigado, muito obrigado!

É hora de terminar. Estais cansados? [Não!] Continuamos mais um pouco? [Sim!]

Ocupemo-nos agora de Marina. Marina fez duas perguntas... Não duas perguntas! Fez duas reflexões e uma pergunta sobre a felicidade. Tu disseste-nos uma coisa verdadeira: a felicidade não se compra. E, quando tu compras uma felicidade, depois dás-te conta que aquela felicidade desapareceu... Não dura a felicidade que se compra. Apenas a felicidade do amor, apenas esta dura!

E o caminho do amor é simples: ama a Deus e ama o próximo, teu irmão; aquele que está perto de ti, aquele que necessita de amor e precisa de muitas coisas. «Mas, Padre, como é que eu sei se amo a Deus?» É muito simples! Se amas o próximo, se não odeias, se não tens ódio no teu coração, tu amas a Deus. Esta é a prova segura!

E, depois, Marina fez uma pergunta – eu compreendo – uma pergunta dolorosa, e agradeço-lhe por a ter feito: a divisão entre os irmãos das Coreias. Mas, há duas Coreias? Não! Existe uma só, mas está dividida; a família está dividida. Isso é uma tristeza... Como podemos ajudar para que esta família se una? Eu digo duas coisas: primeiro, um conselho e, depois, uma esperança.

Antes de mais nada, o conselho: rezar; rezar pelos nossos irmãos do Norte: «Senhor, nós somos uma família; ajudai-nos, ajudai-nos para chegar à unidade. Vós podeis fazê-lo! Que não haja vencedores nem vencidos, apenas uma família; que hajam apenas os irmãos». Agora convido-vos a rezar juntos – depois da tradução –, em silêncio, pela unidade das duas Coreias.

Façamos a oração em silêncio. Em silêncio, rezemos [silêncio].

Agora, a esperança. Qual esperança? Há tantas esperanças, mas boa há uma. A Coreia é uma só, é uma família: vós falais a mesma língua, a língua da família; vós sois irmãos que falam a mesma língua. Quando [na Bíblia] os irmãos de José foram ao Egipto comprar comida – porque tinham fome; tinham dinheiro, mas não tinham que comer – foram lá comprar comida e encontraram um irmão! Porquê? Porque José notou que falavam a mesma língua. Pois bem! Pensai nos vossos irmãos do Norte: eles falam a mesma língua e quando em família se fala a mesma língua, há também uma esperança humana.

Há pouco vimos uma coisa bonita, a representação do filho pródigo, o filho que saíra de casa, malbaratara o dinheiro, tudo, traíra o pai, a família, traíra tudo. A dado momento, pela necessidade que passava, mas com muita vergonha, decidiu voltar. E pensara como pedir perdão ao seu pai. Pensou dizer: «Pai, pequei, fiz isto errado; quero ser, não teu filho, mas um simples empregado», e muitas outras coisas bonitas. Mas, o Evangelho diz-nos que o pai o viu ao longe. E porque é que o viu? Porque diariamente subia ao terraço, para ver se o filho voltava. E abraçou-o! Não o deixou falar; não o deixou dizer aquele discurso que preparara, nem sequer pedir perdão... só depois. Fez festa. Fez festa! E esta é a festa que Deus mais gosta: quando retornamos a casa, quando voltamos para Ele. «Mas, Padre, eu sou um pecador, eu sou uma pecadora...» Melhor ainda! Ele está à tua espera! Fará ainda mais festa! Porque o próprio Jesus diz-nos que no céu faz-se mais festa por um pecador que volta do que por cem justos que permanecem em casa.

Nenhum de nós sabe o que nos espera na vida. E vós, jovens, perguntais: «Que me espera?» Podemos fazer coisas ruins, muito ruins, mas, por favor, não desesperemos! Temos sempre o Pai, que nos espera! Retornar, retornar... Como nos diz a palavra back! Retornar a casa, porque o Pai me espera. E, se eu sou muito pecador, ele fará uma grande festa. E vós, sacerdotes, por favor abraçai os pecadores e sede misericordiosos. É bom ouvir isto! A mim, isto deixa-me feliz, porque Deus nunca se cansa de perdoar; nunca se cansa de esperar por nós.

Eu tinha escrito três sugestões, mas já falei sobre elas: oração, Eucaristia e trabalhar pelos outros, pelos pobres.

Mas agora tenho de vos deixar. [Não!] Ficarei feliz em vos rever nestes dias e de vos falar de novo no domingo, quando nos reunirmos para a Santa Missa. Entretanto agradeçamos ao Senhor pelos dons que nos concedeu neste tempo que passamos juntos e peçamos-Lhe a força para sermos fiéis e jubilosas testemunhas do seu amor por toda a parte da Ásia e do mundo inteiro.

Maria, nossa Mãe, vos proteja e nos mantenha sempre perto de Jesus, seu Filho. E, do Céu, vos acompanhe também São João Paulo II, o iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude. Com grande afecto, concedo a todos vós a minha bênção.

E, por favor, rezem por mim! Não vos esqueçais disto: de rezar por mim! Muito obrigado!

2014-01-14 L’Osservatore Romano

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EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade”
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa
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