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Ter, Out
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Guia Pastoral Diocesano 2019
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O Papel do cristão católico no exercício da cidadania

Espaço dos Leigos

Professor Claudio Junior
membro do Conselho Diocesano de Leigos

Ocorreu, nos dias 29, 30 e 31 de agosto, em Adamantina, o Curso de Atualização para Leigos, e no dia 4 de setembro a primeira reunião do Conselho Diocesano de Leigos, na qual se refletiu sobre o papel primordial do cristão católico com relação ao exercício da cidadania. Esse tema é bastante discutido nos meios de comunicação, principalmente quando estamos próximos da época das eleições.

Entre tantos debates ligados ao tema cristão católico e o exercício da cidadania, muito se discute sobre a responsabilidade que os cidadãos têm em relação aos representantes políticos eleitos. Em diversas ocasiões, ouvimos dizer que o brasileiro "não tem memória" porque se esquece de quais foram os seus representantes escolhidos para ocupar os cargos dos poderes Executivo e Legislativo. O alcance da responsabilidade e das consequências do voto não permitem atitude simplória, sob pena do alto custo de decisões inadequadas sobre o poder Executivo e a representatividade. Uma gama enorme de fatores interfere na consolidação dessa esperada postura cidadã, obviamente na contramão da inadmissível proposta do voto nulo ou do não comparecimento às urnas.

As eleições garantem o exercício nobre da cidadania. Por isso, supõem e exigem preparação individual muito mais elaborada. Cita-se aquilo que Aristóteles pensava sobre o bom governo: "A verdadeira garantia do bom governo consiste em vigiar a execução das leis, em não permitir nunca a menor infração. Qualquer infração leve é insensível, mas tais transgressões são como as pequeninas despesas que, multiplicando-se, levam à ruína. A princípio, elas fogem à atenção, e é por isso que mister se faz deter o mal na origem".

O Papa Bento XVI afirmou que "é dever da Igreja contribuir para a purificação da razão e para o despertar das forças morais, sem as quais não constroem estruturas justas, nem estas permanecem operativas por muito tempo, entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos, os quais, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública. Não podem, pois, abdicar da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum" (Bento XVI, Deus caritas est, n. 29). Também o Papa Francisco nos afirma que "Ninguém pode nos exigir que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos" (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 2013 n.183).

Assim, concluímos que nossa missão de Cristão Católico é de se preocupar com o bem comum, de estar disposto a ser fermento na massa, não perder o ardor do Evangelho na busca de uma sociedade mais justa e fraterna.

Publicado no Jornal No Meio de Nós - edição de outubro de 2014

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