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Sab, Abr

Basílio Magno e a Divindade do Espírito Santo

Padres e seminaristas

“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

A afirmação do Símbolo Niceno-Constantinopolitano é herança direta de São Basílio Magno (329-379), bispo de Cesaréia (370-379).

Basílio viveu na “idade de ouro” da patrística, fértil período na história da Igreja e na difusão do cristianismo. Grande pai e doutor da Igreja, empenhou sua vida na defesa da fé cristã, reforma da liturgia, edificação da vida monástica, além do cuidado dos pobres. Combateu os “arianos” e “pneumatômacos”, hereges que negavam a divindade de Jesus e do Espírito Santo. Para estes, tanto o Filho como o Espírito seriam “criaturas”.

Em sua obra “Tratado sobre o Espírito Santo”, Basílio afirma a igualdade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e o faz através de dois argumentos:

  1.      A tradição batismal. Para Basílio, a profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo é extraída da tradição batismal. “Devemos crer segundo a maneira como fomos batizados” e “glorificar conforme a nossa fé”. O Espírito é associado ao Senhor (Cristo) e ao Pai no Batismo.
  2.      A doxologia. A maneira como louvamos revela a identidade de Deus. A doxologia (o louvor) revela a ortodoxia (a correta doutrina). Enquanto alguns se limitam a glorificar ao Pai, pelo Filho no Espírito Santo, Basílio não teme em dar glória ao Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. A glória é comum a cada uma das pessoas divinas.

Para Basílio, o Espírito é inseparável do Pai e do Filho e isto se expressa no batismo, na confissão de fé e na recitação da doxologia. O Espírito não é “criatura” ou de “condição servil” e inferior ao Pai e ao Filho, ele é também Senhor, é divino por natureza.

Para falar das relações entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo, Basílio afirma que o Espírito é “co-enumerado”, “co-ordenado” e “co-glorificado”, ou seja, ele é nomeado com o Pai e o Filho, está na mesma ordem, no mesmo nível, nem abaixo nem acima das outras pessoas e “com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. As três pessoas têm a mesma honra e dignidade. Quem recusa aceitar o Espírito compromete sua fé no Pai e no Filho.

Interessante notar que o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, cujo artigo referente ao Espírito devemos a Basílio, afirma que o Pai é Deus, o Filho é “Deus de Deus” (portanto também é Deus) e o Espírito é “Senhor que dá a vida” e não se afirma, ao menos textualmente, que “o Espírito Santo é Deus”. Como, portanto, podemos compreender a divindade do Espírito Santo a partir do Credo e da teologia de Basílio?

Basílio defende a “divindade do Espírito Santo” sem recorrer ao termo “consubstancial” - atribuído ao Filho e que gerou controvérsias por não estar na Escritura - e sem chamá-lo de Deus. O Espírito é “Senhor”, não servo nem criatura (“Senhor” ou “kyrios” pode ser considerado sinônimo de Deus – Jesus é Senhor). O Espírito “dá a vida”. O único “doador” da vida é Deus, portanto, o Espírito é Deus. Neste sentido, as palavras “Senhor” e doador da vida, atributos divinos predicados ao Espírito Santo advogam em favor de sua divindade. Além disso, este “Senhor que dá a vida” com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Não se pode adorar e glorificar a não ser a Deus.

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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