02
Ter, Jun

Teologia do Episcopado no Concílio Vaticano II

Padres e seminaristas

Quase todos os documentos conciliares abordam direta ou indiretamente os Bispos e seu ministério. Apresentaremos alguns exemplos que nos ajudam a compreender a teologia do Ministério e do Episcopado presente no Vaticano II. Priorizaremos a Constituição Dogmática Lumen Gentium e o Decreto Christus Dominus.

O capítulo terceiro da Lumen Gentium aborda a “Constituição Hierárquica da Igreja e em especial o Episcopado”. O Concílio apresenta a Sacramentalidade e Colegialidade do Episcopado (cf. artigos).

O Vaticano II considera os bispos sucessores dos Apóstolos[1] e o Episcopado a plenitude do Sacramento da Ordem (LG 21b, 26a, 41b). Os bispos (e não apenas o Papa) são “vigários de Cristo” (27a) e não do Romano Pontífice (27b). Individualmente são o princípio visível e o fundamento da unidade em suas Igrejas particulares. “[...] cada Bispo representa a sua Igreja, e todos juntamente com o Papa representam a Igreja inteira no vínculo da paz, do amor e da caridade” (23a). Deve ter solicitude para com a Igreja universal (23b), colaborando com os outros bispos e com o Sucessor de Pedro (23b). Exerce o múnus de ensinar, santificar e governar.

LG também apresenta o ministério eclesiástico como “divinamente” instituído e exercido desde a antiguidade pelos chamados Bispos, Presbíteros e Diáconos (28a). Não se afirma categoricamente que as três ordens sejam instituição direta de Cristo, mas sim o Ministério. A Constituição conciliar reconhece ainda os presbíteros como “verdadeiros sacerdotes do NT” e “solícitos cooperadores da Ordem Episcopal” (28a) e reconhece o diaconato como grau próprio e permanente da hierarquia (29). Os presbíteros são chamados a reconhecer o Bispo como seu “pai” e este consideram os sacerdotes como “filhos e amigos” (28b).

O Vaticano II dedica um decreto inteiro ao múnus pastoral dos Bispos na Igreja (Christus Dominus). Teologicamente o Decreto repete orientação da Constituição sobre a Igreja, além de apresentar orientações disciplinares.

CD reforça a ideia de que os bispos sucedem aos apóstolos como pastores de almas, sendo verdadeiros Mestres na fé, Pontífices e Pastores (2b). O Decreto aborda a relação do Bispo com a Igreja universal, o exercício de seu poder colegial e a solicitude pela Igreja universal, além da autoridade na própria diocese (cap. I). No segundo capítulo, Christus Dominus trata dos Bispos e as Igrejas Particulares ou Dioceses. Apresenta a Diocese como tipo paradigmático de Igreja particular (II, 11) e a missão do Bispo em sua Igreja. Compete à Autoridade eclesiástica o direito de nomear e instituir Bispos (II, 20). O Decreto conciliar também aborda orientações acerca da circunscrição das dioceses (II, 22ss) e dos cooperadores dos bispos diocesanos no múnus episcopal, tais como os bispos coadjutores e auxiliares, a Cúria e os Conselhos Diocesanos, o Clero diocesano e os religiosos.

O último capítulo do decreto aborda “a cooperação dos bispos no bem comum de vários dioceses”, no qual se destaca o papel das Conferências Episcopais.

[1] Além da Constituição Lumen Gentium (18b, 20, 23b.d, 24a e 28a), a afirmação de que os bispos são sucessores dos Apóstolos se repete em outros textos conciliares, tais como Christus Dominus (2b, 6a, 8a, 35b), Dei Verbum (7b,9), Gaudium et Spes (76d), Presbyterorum Ordinis (2b), Unitatis Redintegratio (2d), Apostolicam Actuositatem (2b), Ad Gentes (1a).

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