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Ter, Nov
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTUS VIVIT
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Guia Pastoral Diocesano 2019
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Sair da Sacristia

Artigos dos Bispos do Brasil

A preparação do Sínodo da Amazônia tem dado muito o que falar. O fato da Igreja estar tocando assuntos que aparentemente não são de sua alçada, tem levado empresários e políticos a se posicionarem contra o fato das Conferências Episcopais estarem falando de mudanças climáticas, desmatamento, poluição das águas e do ar.

Sentindo-se incomodados pela fala dos que foram constituídos protagonistas do processo sinodal, os povos originários, que denunciaram a onda de destruição e morte na região, apelaram para o velho chavão de que Igreja boa é aquela que fica na sacristia falando de temas espirituais, como se fé e vida não se tocassem. Religião trata de temas espirituais e morais individuais, mas quando o assunto é sério, sobretudo quando entra a razão do mercado, a religião não tem mais nada a dizer?

O cristianismo não é assim. A nossa fé diz que o Verbo de Deus se encarnou, se fez homem e habitou entre nós. Deus entrou na história humana e está comprometido com ela: esta é a razão profunda pela qual a Igreja se coloca como voz dos que não tem voz.

É impossível para a Igreja ficar calada diante das injustiças e da opressão a que foram submetidos os povos originários da Amazônia.

Portanto, quando a Igreja se interessa pelas coisas do mundo e pelos apelos humanos que a realidade impõem como sofrimento e dor, o faz por amor ao mundo que Deus criou e redimiu. A sacristia é um lugar de passagem para o ato litúrgico. A liturgia, em função da qual está a sacristia, coloca o povo de Deus no centro da história que foi o derramamento do sangue da Nova Aliança. E a memória deste sangue não permite a indiferença e a omissão.

Dom Sergio Eduardo Castriani, arcebispo metropolitano de Manaus (AM)

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